quinta-feira, 4 de junho de 2009

Menos Maio


Menos maio. Só não sei se entre ou livre de aspas.
Creditei nesta frase a responsabilidade de transformar todas as frases, todas as aspas, todos os espaços escondidos na minha cabeça, em uma vaga tese que não sei sobre o que deve falar.
Talvez eu tenha encarnado nesses últimos meses um personagem de Platão substituído por antônimos, somado a confusão de um outro Caulfield de um outro Salinger qualquer.
O antônimo é que não nasci em caverna alguma, mas talvez eu tenha adentrado nela em algum passeio ecológico qualquer e após ter encontrado um pouco de água limpa, resolvido lavar-me ali da poeira que se impregnou em mim do lado de fora.
A rusticidade tornou meus dias curiosamente confortáveis e na minha caverna não havia sombra nenhuma nas paredes. Talvez até houvessem, mas me descobri um ótimo cego frente aquilo tudo. Um tipo de cego que transforma um piscar de olhos em uma cegueira quase sincera.
Não sei muito bem o que me levou a olhar lá pra fora de novo, muito menos o que atraiu meus passos para o alcance do sol, sei que agora aqui, frente aos refletores de sombra, sinto o imenso desejo de desligar a TV para não tomar nota do novo reality show, fechar a internet para não participar do novo movimento pró “natureza”, desligar o... não, melhor não.
Melhor aumentar o volume do rádio e virar um surdo sincero no que diz respeito a ouvir o que as sombras falam.
E esperar,
o menos junho.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

(Sublime)


Movendo essas caixas de inutilidades, na qual, chamo-as de pensamentos...

Indo para algum lugar onde ninguém entende nada e nem fingem entender.

Ah! E assim, sigo a cair...

- Por favor! Por favor! Não leve isso contigo!

Seu futuro não será igual ao meu.

Posso estar sendo sublime...

Posso estar afogando em terra firme.

E quando chega o fim...

Apagando essa mente corroída com mercúrio e ácido sulfúrico.

Carregando minhas pilhérias, ''meu poste e meu tio Bill''.

Desmanchando minhas ruínas, até fazer minha página ficar em branco outra vez.

Ah! E os meus sonhos? Caem comigo...

- Por favor! Por favor! Não tente os reerguer de novo!

Não os leve contigo!

Posso estar sendo sublime...

Com uma arma apontada para minha cabeça, contra o meu próprio crime...

E quando é que chega o final?


Movendo essas caixas de inutilidades, na qual, chamo-as de pensamentos...

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Castelos


Castelo de areia em alto mar,
cercado por muros de papel que se dissolvem em meio às ondas.
Destruindo pedaço por pedaço do meu muro intransponível,
levando à terra firme a segurança que eu acreditava ter.
Castelo de papel cercado por muros de areia.
Que se dissolvem em meio ao vento, que vem e vai pra lugar nenhum.
Levando embora minha coragem,
deixando-me submerso no medo.
Castelo de mar cercado por muros de vento, ou talvez, castelo de ar cercado por muros de mar?
Bobagem, são só ruínas.
Apenas ruínas no meio do nada.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Cc: Oullet


Eu não consigo entender como que, depois de tudo que eu não vivi, cheguei até aqui, e nem tenho a mínima ideia do caminho de volta. Sendo sincero, quero voltar sim, e ao mesmo tempo, não. Entretanto, como voltarei para algum lugar se nem sei de onde parti? Como saberei o que fazer se nem sei me ouvir?

Ah, Lady Oullet... Me escute! Por que eu não tenho mais tempo para mim - cansei de mim mesmo... Mas só quero que saibas que não estou perdido, mesmo depois deste tempo todo que tenho vivido - oh! Quero dizer, que tenho tentado provar que posso viver neste mundo - eu não tenho a mínima ideia de o que são esses sentimentos!
E mesmo assim, algo não me deixa viver sem eles.

Agora que a batalha começou e tudo parece estar perto do fim. Eu contra mim mesmo, o espaço vazio contra o vácuo, “desta vez a cruzada é para o bem”, façam suas apostas!
- Lady Oullet você está me ouvindo? Lady Oullet você pode me ouvir?
Minha voz está fraca, não consigo me expressar direito... Perdi o meu álibi todo naquela noite... Naquela noite em que você tentou me matar! O Júri está pronto pra me jogar pelos ares, o Juiz já me condenou desde o princípio do julgamento, minha defesa é baseada em fatos ludíbrios, e mesmo assim, a pseudo tese continua.
Agora me sinto trêmulo, não consigo mais me mexer, e sinto algo diferente em minha mente... Sinto algo em minha mente... É você?


- Estou tão vivo!

domingo, 12 de abril de 2009

Soul Hunter


Alma caçadora...

Em dias de paz...

Enchendo-me de coisas vazias,

Fazendo da minha vida uma caça sem fim,

Onde sou o animal na jaula.


Alma ditadora

Não me deixa nem uma escolha

Extingue minhas idéias e meus direitos

E me deixa morto como uma folha

Sem saber ao menos como ela é, e muito menos quem sou.


Alma impiedosa

Fria e intolerante

Que me deixa em um segundo, um mundo de escolhas improdutivas

E que ainda insiste em mim,

No meu ser

Mesmo não me deixando viver!