terça-feira, 6 de novembro de 2012

Texto Estrela Cadente

Ás vezes me pergunto porque temos tanto medo da noite fria e chuvosa,
se ela é a única que nos acolhe quando estamos tristes e sozinhos?

E ao som de uma melodia dos anos 30 perdida em minha mente,
sigo me arrastando pelo asfalto molhado e me embreagando com a água da chuva no meio da madrugada...
Tentando esquecer o ferimento, que insisto em machucar todos os dias.

Na verdade isto me segue há quase vinte e poucos anos,
e minhas contradições se contrapõem a quem eu realmente sou,
ao lado de uma pilha de indefinições e de incertezas...
Enfim, um amultuado de palavras e lembranças que não dizem nada!
Ainda prossigo ao meio deste monte de pilhérias vazias que não resisto ao confronta-las.

E tudo que me restou foi apenas uma melodia estrela cadente...
A nota mais triste e linda que já escutei,
que se desintegra sem se repetir outra vez...







O resto é silêncio.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Persistente Repetição de Formas Falsas


Vá minha triste alma passageira

Vague por ai!

Pegue o trem da décima primeira hora

De um dia esquecido

Perdido numa trilha qualquer

E viva por si!

Minh’alma...

Descansada?!

Cansada de se cansar

Por nada!

Presa num espaço-tempo fictício entre meu corpo e mente,

Perdida na estação labirinto,

De uma estrada de ferro sem fim, vulga minha vida...

Desdenha-se de mim

E tente ser quem realmente tu és.

Em um outro vagão...

De outro trem...

Em outrora!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Platão Platônico


E faleceu Platão,
No dia em que a rotação da terra foi brusca de mais.
E não conseguiu passar sem ser notada.
E os nossos pés sentiram o prazer de ir a outro lugar sem se mover.
E um santuário construído no pico mais alto do desejo se trincou.
E a sacralizada tornou-se um mero mortal;
tão palpável e tão sem graça.
E novamente fui traído pela minha imaginação.
E eu vi que os sentimentos são aviões de cera, que tão belos em museus, se tornam gotas em vôos mais próximos ao sol.
Viram chuvas de parafina.
Com gotas que ardem.
Que cobrem o chão.
Que perde o atrito.
Que prendia os nossos pés.
Para que não quedamos...
No dia em que a rotação da terra foi brusca de mais!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Casa ao chão

Derrubaram a nossa casa amor
Aquela em que colocamos os nossos sonhos
e revestimos as paredes de desejo
e plantamos uma árvore...

Mas destruíram o nosso jardim
Aquele em que brotavam os nossos prazeres
e enraizavam as nossas vidas
a da árvore que iríamos gangorrar

E sentir o vento em nosso corpo
E voar para traz ao encontro dos seus braços
E sentir o vento partindo-se ao meio
E senti-lo em nossas costas tentando nos fazer parar

Mas destruíram, derrubaram, e o "nosso" foi soterrado pelas grossas paredes em que escrevemos nossas juras
E eu não pude te mostrar
Que viramos meros escombros
Que viramos meros alicerces
de um prédio sem jardim
com paredes sem desejos

E com vidas muito mais reais!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Eu decomponho às 3:00


Mais uma vez aqui vou eu...

Debandando sozinho...

Devagarinho...

Pela madrugada chuvosa.


E Insistindo em percorrer minha mente

Atrás de saudades...

E lembranças...

Da música mais bela e triste que nunca escutei...

E dos sentimentos que nunca senti.


Olho para trás e tento ver

O que sobrou de mim...

Não consigo!

A chuva já cobriu...


Estou decompondo aos poucos...