sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Soneto a morte de alguém

Faleceu hoje, aos 76 anos, às 0 horas e 19 minutos, sexta feira, dia 30 de novembro, um homem que eu não conheci.
Não sei seu nome, seu telefone, não me lembro do seu cheiro, do seu corpo, do tom da sua voz, do seu humor, dos seus olhos. E tudo isso só constata meu quadro anormal, mas preciso me controlar para não me desaguar em lágrimas.
Só se passaram duas horas e já me sinto insuportavelmente inflado por uma saudade que parece que irá explodir, e em cada parte espalhada do meu corpo haverá indícios dessa dor.
Mas tento despistar, me contando que nas rotineiras 8 horas de sono eu não sentia sua presença, e assim dou um pouco de ar, por pelo menos mais seis horas, pra este coração sufocado, abrigado em meu peito.
E na primeira hora passo atônito
E na segunda me corre uma lágrima
Na terceira ela me cai sobre a coxa nua
Na quarta enfim ela toca o chão, uma gota tão densa que inunda meu quarto
Na quinta a água já bate em meu ombro (cansado)
Na sexta não só mais meu peito, mas sim todo meu corpo esta sufocado
E nesse tempo tentei entender porque me sinto assim, esse pássaro com a asa quebrada, que morre de saudade de um céu em que ele nunca voou, mas não encontro nem razão nem motivos, do porque de cada pena do meu corpo só se encontrar saudades.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Texto Estrela Cadente

Ás vezes me pergunto porque temos tanto medo da noite fria e chuvosa,
se ela é a única que nos acolhe quando estamos tristes e sozinhos?

E ao som de uma melodia dos anos 30 perdida em minha mente,
sigo me arrastando pelo asfalto molhado e me embreagando com a água da chuva no meio da madrugada...
Tentando esquecer o ferimento, que insisto em machucar todos os dias.

Na verdade isto me segue há quase vinte e poucos anos,
e minhas contradições se contrapõem a quem eu realmente sou,
ao lado de uma pilha de indefinições e de incertezas...
Enfim, um amultuado de palavras e lembranças que não dizem nada!
Ainda prossigo ao meio deste monte de pilhérias vazias que não resisto ao confronta-las.

E tudo que me restou foi apenas uma melodia estrela cadente...
A nota mais triste e linda que já escutei,
que se desintegra sem se repetir outra vez...







O resto é silêncio.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Persistente Repetição de Formas Falsas


Vá minha triste alma passageira

Vague por ai!

Pegue o trem da décima primeira hora

De um dia esquecido

Perdido numa trilha qualquer

E viva por si!

Minh’alma...

Descansada?!

Cansada de se cansar

Por nada!

Presa num espaço-tempo fictício entre meu corpo e mente,

Perdida na estação labirinto,

De uma estrada de ferro sem fim, vulga minha vida...

Desdenha-se de mim

E tente ser quem realmente tu és.

Em um outro vagão...

De outro trem...

Em outrora!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Platão Platônico


E faleceu Platão,
No dia em que a rotação da terra foi brusca de mais.
E não conseguiu passar sem ser notada.
E os nossos pés sentiram o prazer de ir a outro lugar sem se mover.
E um santuário construído no pico mais alto do desejo se trincou.
E a sacralizada tornou-se um mero mortal;
tão palpável e tão sem graça.
E novamente fui traído pela minha imaginação.
E eu vi que os sentimentos são aviões de cera, que tão belos em museus, se tornam gotas em vôos mais próximos ao sol.
Viram chuvas de parafina.
Com gotas que ardem.
Que cobrem o chão.
Que perde o atrito.
Que prendia os nossos pés.
Para que não quedamos...
No dia em que a rotação da terra foi brusca de mais!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Casa ao chão

Derrubaram a nossa casa amor
Aquela em que colocamos os nossos sonhos
e revestimos as paredes de desejo
e plantamos uma árvore...

Mas destruíram o nosso jardim
Aquele em que brotavam os nossos prazeres
e enraizavam as nossas vidas
a da árvore que iríamos gangorrar

E sentir o vento em nosso corpo
E voar para traz ao encontro dos seus braços
E sentir o vento partindo-se ao meio
E senti-lo em nossas costas tentando nos fazer parar

Mas destruíram, derrubaram, e o "nosso" foi soterrado pelas grossas paredes em que escrevemos nossas juras
E eu não pude te mostrar
Que viramos meros escombros
Que viramos meros alicerces
de um prédio sem jardim
com paredes sem desejos

E com vidas muito mais reais!