quinta-feira, 14 de maio de 2009

(Sublime)


Movendo essas caixas de inutilidades, na qual, chamo-as de pensamentos...

Indo para algum lugar onde ninguém entende nada e nem fingem entender.

Ah! E assim, sigo a cair...

- Por favor! Por favor! Não leve isso contigo!

Seu futuro não será igual ao meu.

Posso estar sendo sublime...

Posso estar afogando em terra firme.

E quando chega o fim...

Apagando essa mente corroída com mercúrio e ácido sulfúrico.

Carregando minhas pilhérias, ''meu poste e meu tio Bill''.

Desmanchando minhas ruínas, até fazer minha página ficar em branco outra vez.

Ah! E os meus sonhos? Caem comigo...

- Por favor! Por favor! Não tente os reerguer de novo!

Não os leve contigo!

Posso estar sendo sublime...

Com uma arma apontada para minha cabeça, contra o meu próprio crime...

E quando é que chega o final?


Movendo essas caixas de inutilidades, na qual, chamo-as de pensamentos...

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Castelos


Castelo de areia em alto mar,
cercado por muros de papel que se dissolvem em meio às ondas.
Destruindo pedaço por pedaço do meu muro intransponível,
levando à terra firme a segurança que eu acreditava ter.
Castelo de papel cercado por muros de areia.
Que se dissolvem em meio ao vento, que vem e vai pra lugar nenhum.
Levando embora minha coragem,
deixando-me submerso no medo.
Castelo de mar cercado por muros de vento, ou talvez, castelo de ar cercado por muros de mar?
Bobagem, são só ruínas.
Apenas ruínas no meio do nada.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Cc: Oullet


Eu não consigo entender como que, depois de tudo que eu não vivi, cheguei até aqui, e nem tenho a mínima ideia do caminho de volta. Sendo sincero, quero voltar sim, e ao mesmo tempo, não. Entretanto, como voltarei para algum lugar se nem sei de onde parti? Como saberei o que fazer se nem sei me ouvir?

Ah, Lady Oullet... Me escute! Por que eu não tenho mais tempo para mim - cansei de mim mesmo... Mas só quero que saibas que não estou perdido, mesmo depois deste tempo todo que tenho vivido - oh! Quero dizer, que tenho tentado provar que posso viver neste mundo - eu não tenho a mínima ideia de o que são esses sentimentos!
E mesmo assim, algo não me deixa viver sem eles.

Agora que a batalha começou e tudo parece estar perto do fim. Eu contra mim mesmo, o espaço vazio contra o vácuo, “desta vez a cruzada é para o bem”, façam suas apostas!
- Lady Oullet você está me ouvindo? Lady Oullet você pode me ouvir?
Minha voz está fraca, não consigo me expressar direito... Perdi o meu álibi todo naquela noite... Naquela noite em que você tentou me matar! O Júri está pronto pra me jogar pelos ares, o Juiz já me condenou desde o princípio do julgamento, minha defesa é baseada em fatos ludíbrios, e mesmo assim, a pseudo tese continua.
Agora me sinto trêmulo, não consigo mais me mexer, e sinto algo diferente em minha mente... Sinto algo em minha mente... É você?


- Estou tão vivo!

domingo, 12 de abril de 2009

Soul Hunter


Alma caçadora...

Em dias de paz...

Enchendo-me de coisas vazias,

Fazendo da minha vida uma caça sem fim,

Onde sou o animal na jaula.


Alma ditadora

Não me deixa nem uma escolha

Extingue minhas idéias e meus direitos

E me deixa morto como uma folha

Sem saber ao menos como ela é, e muito menos quem sou.


Alma impiedosa

Fria e intolerante

Que me deixa em um segundo, um mundo de escolhas improdutivas

E que ainda insiste em mim,

No meu ser

Mesmo não me deixando viver!

domingo, 29 de março de 2009

...


Enterro-me mais uma vez frente a esse quadro de luz ofuscante e contemplo a catarse em tons de branco borrados com traços negros.
Pelo visto calo-me aqui. Meus dedos já se emudeceram, minhas frases soltas parecem não mais se juntarem em uma dança de tormentos e desamores.
Acho que foram todos embora, todos os Salingers, todos os Machados de Assis, todos os Orwells, todos os Gattais, todos os meus não eu’s genéricos que respondiam por mim.
Sobrou apenas um monte de palavras sem forma, ficou apenas grunhidos balbuciados por um bêbado qualquer largado num ponto de ônibus, restou apenas à vã tentativa de dialogo de um casal de surdos-mudos em crise, permaneceu apenas a cena que se projetava frente aos meus olhos há algumas horas atrás.
Não ficou, não restou e nem permaneceu nada que justificasse sua presença por aqui caro leitor.
O que ainda insiste em sobreviver debaixo dos escombros deste telhado de palavras carregadas de silêncio é a minha presunção de ainda acreditar que posso brincar de escritor e de que vocês se divertem ao ler minhas brincadeiras.

Eis aqui meus caríssimos leitores (contemplando o auge da minha presunção) um espécime não muito raro: Um escritor sem nada pra falar. Ressalvo minhas reticências...