terça-feira, 31 de agosto de 2010

Página em Branco



Página em branco.
O começo e o fim de tudo.
O retiro de uma alma sem lembranças...
 
Lembranças...
Que corroem nossas mentes,
Entorpece-nos com pensamentos triviais,
E deixam-nos cicatrizes intermináveis...
 
Cicatrizes...
Que não se fecham eternamente,
Invisíveis aos olhos, mas letais ao coração.
 
Eles sempre dizem que tens que mudar em algo,
Que tens que parar de manter este diálogo tácito consigo mesmo.
E demoraste mais vinte e um anos para chegar ao fim deste parágrafo...
 
Porém, não há nada aqui,
A não ser palavras tortas, escritas por um lápis despontado...

A página ainda está em branco.
E insisto em tentar entender,
Que roteiro tenho que escrever nesta vida...

Vida...
"Uma linha curva sobre um ponto"
Um fato exilado de um motivo.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Abre Aspas

Entrego-lhe as pás que enterraram minha mente em tuas fictícias palavras.
Entrego-lhe também as pás que sepultaram meu coração num fundo falso qualquer, mais conhecido como solidão.
Abdico e lhe dou em mãos as pás que me desvencilharam de suas mãos e de teus sentimentos falsos, de plástico.

As pás que desenterraram dos escombros de dentro de mim homens embaçados assentimentais, vultos de ladies Oullets, odes para Joys,
lagartos-máquinas de deus, locotomias monocromáticas, formas falsas perdidas, Sienitas moto-locótomas, quatro passos sublimes.
Morfinas...
Dilemas...
Agonias...
Em fim, todos os meus outros dias em outras vidas.

E para você guardar todas essas pás e essas pilhérias, eu te deixo minhas aspas entre teus parênteses.
Guardado por teus colchetes
Trancados por tuas chaves
Com meu ponto final.









Fecha aspas.

domingo, 27 de junho de 2010

O Vulto


Um tanto de voltas em volta do tudo.

Um tanto de vida dentro de um vácuo.

Um tanto de vácuo dentro de um mundo.

Um tanto de mundo em volta de um túmulo.

- Enterre-o!
Enterre-o!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Em um Outro Dia, Em Outra Vida...

Não acreditei na matéria da capa do jornal de hoje quando vi teu rosto límpido e suave estampado, dando uma sensação de que tornaste livre.

Livre de si mesma, livre de todo peso e de toda aquela dor, que não existia, entretanto, mesmo assim insistias carregar.

Não consegui acreditar na manchete desta matéria que o jornalista fez, englobando pensamentos fúteis e sentimentos dissimulados.
Constituída de letras de recortes de livros.
Letras cortadas pela metade de poemas românticos frustrados de livros em branco, que nunca saíram da redação.

Juro-te que quase acreditei nas palavras que o tal jornalista usou para te descrever na matéria.
Palavras formadas por nenhuma letra, símbolo ou código. Algumas criptografadas de uma falsa máquina enigma qualquer.
Na verdade, ele foi tão claro que não pude entender!

Agora, não posso acreditar em ti.
Não posso acreditar em todas as verdades que disseste sobre mim, pois eu não sou real, não sou verdadeiro.
Na verdade, sou tão falso quanto esse tal jornalista, quanto este texto, e quanto você!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Sienita/O Telefone que Jamais Toca


Melancolia caindo por terra,
Desabando sobre seus ombros cansados.
Cansados de carregar o peso que já não existe,
O peso de você fingir não existir!

- Mas e agora que eu tentei e acreditei?
E só estou aqui esperando a hora da ultima nota de um violão desafinado acabar...

Quem atendeu o telefone?
O telefone que jamais toca!
Seu número está perdido em um passado qualquer de uma lembrança utópica.
Sua bateria está nos escombros de uma bolha de plástico, revestida de papel.
- Entretanto, tanto faz!
Não importa se as chamadas serão de socorro ou a cobrar!

Agora o declínio, que seus erros provocaram, começa a te cansar...
E tudo que te resta, é o que não lhe cabe mais.
- Vai ficar tudo bem, tudo bem!
Só me avise na última fração do segundo, quando resolveres acabar com sua própria vida,
Que eu continuarei à espera deste maldito telefone tocar.

Seu nome é Sienita.
E ela só tem Quatorze anos...