domingo, 7 de novembro de 2010

rs


Porque eu nunca recorro a ti quando estou bem? O desespero aproxima os crentes de deus, e a mim ao papel?
Mas quanta calúnia escrevo aqui, não há nem mesmo um papel aqui comigo. Poupo o sacrifício das árvores desse modo, blasfemo a honra de escritores de verdade de fronte para o monitor, com uma boa música nos ouvidos, um céu bonito (nublado) na janela e uma boa companhia.
Desta vez não falo de ti papel, meu companheiro nas horas de lágrima, faço de minha companhia belos sorrisos e belos momentos.
Não que as lágrimas tenham cessado, elas sempre voltam, pra regar meu jardim particular e fazer desabrochar rosas de mim.
E agora elas estão a desabrochar, e despertaram em mim um sorriso.
Fico breve quando sorrio, talvez por isso eu não recorra a ti.
Simplesmente acordei diferente, com a ligeira impressão que as coisas estão bem, por isso à pausa na demolição lexical.
Por isso as palavras vagas.
Por isso termino por aqui.
Por isso escrevi pra você, recorrendo a ti.

sábado, 2 de outubro de 2010

O moinho voltou a moer (se remoer)




Afogado em meus clichês eu cuspo em minha face, eu me renego, eu me deserdo, eu me desprezo.

Eu procuro desesperadamente uma maneira de dizer que não sou eu, eu procuro uma imensa e esmagadora palavra que me cale.
Eu procuro o sentido do que quero dizer.
Eu apago as luzes, eu ligo o som, eu me acomodo na cadeira e espero, espero que o sangue bombardeado em meu peito percorra a extensão do meu tronco, penetre em meus membros, e transborde por meus dedos. Traduzindo o que eu não consigo ler, criando símbolos que expliquem esse silêncio que se instaurou em mim, descrevendo a face de quem matou o meu poeta.
Acho que há tempos eu venho escrevendo em silêncio, postando cartas pra você sem escrever no envelope o endereço do meu destinatário. Eu venho guardando pra você meu bem, uma muda palavra de amor, que tenha mais peso do que um eu te amo, que tenha mais valor que o amor de um cristo.

Eu amo você, meu grande amigo,

Meu pedaço de papel

Em branco

Que eu rabisco em desespero


Afogado em meus clichês...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Ou...

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Me dê, ao menos, um desses vinte anos que a terra começou realmente a girar...
Ou, apenas me dê essas tuas palavras soturnias para eu continuar a me embreagar.

Me dê alguém para que eu possa criar minha imagem, e neste mundo me situar...
Ou, apenas me deixe exilado no meu 'infinito particular'.

Me dê teus sentimentos, tua palavra, e o que vês frente ao espelho...
Ou, me dê algo em que realmente eu possa acreditar.

Me dê todos os teus falsos olhares, toda tua angústia,
tuas mentiras, verdades, teus poemas românticos com palavras mordazes.
Em fim, tudo aquilo que jogaste ao léu no fundo do mar, só para sentir-se íntegra...

Ou, não me faças mais amar...

terça-feira, 7 de setembro de 2010

AI-5

Um néon de lembranças

Partindo um átomo, em um átimo de segundo...

- Não atines...

Arquejes!


Essa tua atonia...

Está me deixando atônito.

- Desatine!

Desafine!


Tu não desatinaste...

Tu não viste eu me atomizar.

- Agora, coma teu coração

E beba deste cálice!


- Mas, pra que todo este alvoroço?

Eu apenas tive mais uma de minhas quedas aturdias, outra vez...

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Página em Branco



Página em branco.
O começo e o fim de tudo.
O retiro de uma alma sem lembranças...
 
Lembranças...
Que corroem nossas mentes,
Entorpece-nos com pensamentos triviais,
E deixam-nos cicatrizes intermináveis...
 
Cicatrizes...
Que não se fecham eternamente,
Invisíveis aos olhos, mas letais ao coração.
 
Eles sempre dizem que tens que mudar em algo,
Que tens que parar de manter este diálogo tácito consigo mesmo.
E demoraste mais vinte e um anos para chegar ao fim deste parágrafo...
 
Porém, não há nada aqui,
A não ser palavras tortas, escritas por um lápis despontado...

A página ainda está em branco.
E insisto em tentar entender,
Que roteiro tenho que escrever nesta vida...

Vida...
"Uma linha curva sobre um ponto"
Um fato exilado de um motivo.