Tu consegues sentir do frio do inverno, um viés...
E suas folhas secas cortando teus pés?
Consegues sentir o vento oco secar e dissecar-te completamente...
E o veneno da solidão subindo pelas tuas entranhas sutilmente?
Podes sentir o sol evaporar-te como um sopro vagaroso...
E o oxigênio que teu corpo necessita te consumindo aos poucos?
Podes sentir-se rodeado por pessoas, mas vivendo em um limbo em tua mente...
E sentir, de algo que nunca tiveste ou viveste, fome e sede latente?
Passe a mão sobre os cabelos dela...
Faça-a sentir como a última e única!
Mas ela nunca entenderá do deserto de sentimentos que tua alma viveu...
Ela nunca saberá da lacuna em branco de palavras que teu texto exerceu...
Enfim, consegues se sentir como eu?
Talvez nossa maior pretensão seja justamente não ter pretensão alguma. Somos apenas pessoas que acreditam que certas coisas ainda não foram ditas, e mesmo não tendo o domínio delas, emprestamos nossas mentes pra que as palavras se divirtam, construindo e destruindo simultaneamente o castelo abstrato que resolvemos levantar! A casa é sua, o telhado é feito de palavras e vez ou outra elas costumam desabar sobre você!
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
domingo, 3 de novembro de 2013
Amanhece, e Estou Sem Face
e meus olhos cegam com a luz estrelar.
Os fragmentos que me restaram, são impuros...
Uma solução insaturada.
Só me resta, estático, contemplar esta agonia.
O dia amanhece e mostra que por trás da minha máscara, há apenas silêncio.
Um silêncio tão maçante e náuseo, de estourar meus próprios tímpanos.
Minha pele - minha lona revestida de ferro e chumbo, evapora com o calor infernal de cada raio de sol receptado.
E minh'alma...
Alma... Mais um "traço curvo sobre um ponto", se mistura com os restos heterogêneos e com o gás carbônico, e é levada pelo vento.
Pronto!
Estou dissecado!
Estou a deriva!
Que comecem com o lacrimogênio e os choques elétricos!
Que comece a 'vida'!
O dia amanhece...
Um lindo dia, por sinal!
E exatamente às seis horas e cinco minutos...
Em suma, isto é apanas mais um silêncio variante ensurdecedor...
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Desmascarado à Meia-Noite
Em meio a meias palavras que nunca se encontram por minha insensatez,
Pra formar um sentimento bonito, utópico, que costumava preencher este vazio de vez em vez.
É meia-noite e me encontro em outro "L'esprit de l'escalier".
Ás onze e cinquenta e oito, eu era solitário, afogado em velhos bordões,
Em meio a velhas melodias perdidas em abandonados corações.
Sentindo minha vida se passar vagamente à minha frente, como o vento.
Sentindo minha vida se passar vagamente à minha frente, como o vento.
É o marco-zero do dia, e sigo desalento!
À meia-noite e um segundo, sou metade invisível e metade inverdade,
Escorrendo pelos cantos da minha mente, em busca do meu ego desiludido, perdido em um devaneio.
Mas não há nada mais belo, puro e depressivo do que, quando em uma superfície reflete um raio luminoso que apenas lhe mostra ter...
Meia-noite,
o silêncio...
E si mesmo.
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Fotolito
e cada palavra impressa aqui, cai sobre mim como chumbo.
Utilizarei o mais belo filme de nossas vidas,
Um audiovisual melancólico, artístico!
Baseado em fatos reais inventados por mim, apenas para não me sentir mais um moribundo.
E podes vir caindo como música!
Como uma orquestra sinfônica ou uma melodia dos anos trinta,
Não se preocupe com o script,
Pois, é como dizem, "as palavras nunca voltam vazias"...
Esta é minha alma em acrílico,
Se escondendo nesta selva de assentimentos, sem nenhum personagem à interpretar.
Esta é minha última cena a fio,
Eu finjo encenar e todos fingem acreditar.
E se vieres caindo como música,
Dançaríamos na chuva, e contemplaríamos senas cortadas paradisíacas!
Seria a arte final perfeita!
Perdida nos escombros da minha mente oculta...
Enfim, este é meu texto-fotolito
Espero que fique bonito na parede do teu quarto, em um lugar esquecido!
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Insípido
Muitas palavras...
Demasiados caracteres...
Para descrever poucos sentimentos,
Para preencher pouco espaço-tempo de vida.
Muito ar...
Muito oxigênio...
Para pouco pulmão,
Para pouca inspiração.
Auto defesa?
Legitima defesa?
Continuo mentindo...
E continuamos nos movendo,
Sem direção...
Sem história...
Sem sermos autoimunes.
Mas se estiveres correndo
Insistentemente
Atrás de um conforto,
Não precisas dar voltas e voltas ao mundo
Ou em tua mente,
Basta apenas olhar para o lado
E verás que todos estão,
De um jeito ou de outro,
Se tornando o tipo de pessoa que mais odeiam!
E estás cansado...
E estás cansado!
Quando percebes que
A solidão vem se tornando
Uma espécie de anticorpos teus...
Estás cansado!
Insípido!
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