Talvez nossa maior pretensão seja justamente não ter pretensão alguma. Somos apenas pessoas que acreditam que certas coisas ainda não foram ditas, e mesmo não tendo o domínio delas, emprestamos nossas mentes pra que as palavras se divirtam, construindo e destruindo simultaneamente o castelo abstrato que resolvemos levantar! A casa é sua, o telhado é feito de palavras e vez ou outra elas costumam desabar sobre você!
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
cOpoCeANOncheu
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Locotomia #13
Eu me perdi!
No meu caminho sem chão e que não me leva a lugar algum...
Mesmo tendo jurado que nunca mais eu iria me perder.
Entretanto, minha palavra é tão falsa, quanto a este caminho que insisto percorrer
e quanto a este mundo em que finjo viver.
Então, me perdi outra vez!
Eu me vi caindo...
Tropeçando em minhas próprias pernas.
Mesmo tendo jurado que nunca mais me veria caindo assim.
Entretanto, minha visão é tão turva quanto a justiça dos homens.
Logo, caí outra vez!
Contudo, resolvi fugir.
De todas as vozes, braços e pernas que me cercavam,
e - essencialmente - de um tolo que insistia em me seguir,
principalmente quando minha imagem refletia em algum lugar.
No entanto, minhas pernas estavam cansadas de tropeçar nelas mesmas,
minha visão já estava começando a escurecer, e por mais que eu me esforçava,
esse tolo sempre me alcançava...
Logo, me perdi mais uma vez...
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Paródia de Cícero

Morremos soterrados pelo silêncio das palavras que eram mais simples de dizer, e tristemente morremos sem saber. Que ao contrário do que aquela canção dizia, “ainda fazem pessoas que enxugam nossas lágrimas”, e as minhas por falta de afago inundaram o chão.
A sete palmos não vejo mais seu rosto, e vejo que já se passou tempo de mais.
Não a palavra que me desenterre, e já se passou tempo de mais.
E não vejo como como quebrar o silêncio que ficou no passado, e que eu notei, que já se passou tempo de mais.
Morri engasgado, com um discurso inteiro na garganta. Repleto de desculpas, recheado de “obrigado”, bordado de eu te amo. E foi tudo comigo, pra dentro do chão, em segredo, e eu me tirei a chance de saber se fui perdoado, se fui reconhecido ou se houve um eu também.
Virei semente, eu e meus segredos, do que veio a ser frutas da árvore que me tornei.
Da cerejeira que não para de crescer, e que batizou a rua, e que fez sombra pra outras pessoas, que resolveram falar, cuspir ao vento, e que não morreram, engasgados, soterrados pelo silêncio.
Se não tivesse, passado tempo de mais, eu diria.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Pra você, o meu sorriso

"Eu sonhei com as cores cintilantes dos filmes de Chaplin e pintei um mundo novo.
Eu ouvi as vozes do cinema mudo e compus uma canção".
-Me venda suas alegrias vendedor de poesias, me traga da barraca de desejos o meu sorriso. Hoje eu quero ser capaz de ficar feliz por uma frase, e me embebedar por um texto.
Me enalteça, me entorpeça, me iluda, dê me o céu em gotas pra que eu possa plantar, meu jardim de nuvens, meu chão de pássaros.
Parcele os meus desejos, dê me pouco a pouco a ilusão de ser. Dê me a vontade, de viver dos meus sonhos.
Entregue-me meu real imaginado em forma de fotografia, me permita contemplar meus desejos em forma de paixão, transforme minha existência vã em um filme de Chaplin, colora minha vida com cores cintilantes, ensurdeça meus ouvidos com uma fala muda, me acorde...Pois eu sonho com meus sonhos, e ao acordar trago um novo eu, que desperto, deseja colorir um novo dia.
Visto a roupa, enfrento o sol, consumo o tempo, volto pra casa, me alinho ao espelho e repito, me olhando nos olhos, veementemente apaixonado:
"Eu sonhei com as cores cintilantes dos filmes de Chaplin e pintei um mundo novo.
Eu ouvi as vozes do cinema mudo e compus uma canção".
E volto pra cama.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Um Canto Para a Chuva

Deixe a chuva cair!
Eu não ligo mais de chegar em casa encharcado.
Sim! Deixe-me cair com a chuva!
O céu está tão lindo assim nublado!
Quem sabe embaixo de toda essa água eu não me sinta mais ilhado?!
Eu me perdi na chuva, e joguei fora meu guarda-chuva.
Embriaguei-me com a água ácida e com o barulho dos trovões.
Não me importo em acordar e não me sentir mais limpo,
No entanto, o sol da manhã sempre insiste em me secar!
Enxugo-me com o orvalho das plantas,
Afogo-me em poças d'água,
Deixo as enchentes me sucumbir,
E espero o raio mais forte do sol me evaporar...
Para, assim então, eu poder com a chuva outra vez cair!
