quarta-feira, 24 de junho de 2015

Revolução dos Bichos

Não dá pra dizer que apostamos no cavalo errado. Ainda que tenha havido alguns tropeços ou uma perna quebrada, precisamos lembrar que ele liderou o páreo por tempo demais (ainda que pouco, qualquer tempo conta).

Não é a exclusão da corrida que o demove do título de sanção, porque mesmo se as pás tivessem parado de rodar, as pedras do moinho foram levadas por ele.

E moeu grãos.
E fez farinha.
E haja farinha.

Não se trata de errar, se trata do tamanho do tempo...

Meio

Um homem de estatura mediana
De classe média
Que mora no centro
De uma cidade metropolitana
Que vota, e em partidos de centro
E curva-se diante de um deus não tão severo e não tão brando

Um homem meio nunca saberá
Que existe vida nos lados...

sábado, 4 de abril de 2015

7 linhas pra matar a saudade

E se eu tiver voltado?

Quem é que vai me receber?

Acho que medo mesmo eu tenho de encontrar a porta fechada, com as duas tetras chaves viradas e uma daquelas barras de ferro travando a janela.

Medo mesmo eu tenho de não saber como me portar. Medo de não saber mais escalar o muro.

Posso ficar horas no quintal. Na rua, sentado na calçada. Esperando alguém chegar. Se é que haverá alguém pra me receber.

Acho que é por isso que eu não volto.


Mesmo precisando voltar!

terça-feira, 29 de julho de 2014

Maceió

Prazer, eu sou o herói da resistência
minha casa não tem garagem
o muro é coberto de folhas
a tal da trepadeira que cobriu o concreto

Prazer, eu sou o herói da resistência
cujo o peito, não te é mais casa

E que direito tenho eu, afastado de ti por tanto tempo, vir assim, sem mais nem menos, com um Black Chamber a encharcar-me as orelhas, recém conhecido, devagar, em prosa arrastada, sem eira, sem beira, sem direção?

Eu não sei, e ainda me falta a lembrança.

Mas se hoje me vi mais sensível ao caminhar e os muros esverdeados me sopraram algumas palavras, porque não, mais que depressa, como o informante do rei, no meu reinado de amor epistolar, vir correndo cravar-lhe em cores negras a descarga da minha confusão?

E de tão confuso eu não me concedo mais o direito de prosseguir, e ainda que repleto de recusa, eu me forço a entregar-lhe minha incompleta obra, pra que não se esqueça de mim, e que não se esqueça que nem sempre eu digo a coisa certa.

Eu não desisti, e nem publiquei o feto de três meses. Mas com um mês, ou dois, me veio a nova Feist, que agora se chama Daughter, me fazer reconsiderar minha ausência, me fazer reconsiderar minha existência....

Tolices, isso não sairá melhor do que esta, e quatro meses depois, a quilômetros de distância da minha casa, eu me contento com a publicação de um rascunho, composto pelas mãos perdidas no tempo.

A propósito, vê-me um bocado de tempo!?!

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Memorial de uma Lucidez Suficiente

Navegando pelas melodias tristes do dia a dia,
Ainda tentando encontrar um lugar para descansar.
Entretanto, parece que todos os recantos são feitos de ilusões fonéticas,
Nas quais me ensurdece, e me deixa imerso da terra seca do inverno.

Nós nunca mudamos...
Apenas desocultamos o nosso verdadeiro ser.
E a cada tentativa de sermos diferentes,
Apenas caímos em mais uma mentira pra nós mesmos.

Caminhando pelas areias escuras dos meus sentimentos desertos,
Sigo queimando meus pés, que não deixam mais rastros.
Não há praia para eu me perder em olhar, não há mais mar para me embriagar,
Há apenas o sol que me expõe ao ridículo e evapora meus sais.

Nós nunca chegaremos a lugar algum por aqui...
Apenas nos retardaremos da nossa terra do nunca.
Nos perdemos ao contemplar essa vista turva de sempre, tropeçamos em nós mesmos e caímos sem, se quer, um passo darmos...

Mais um copo de mar por favor, para eu descobrir que pilhérias eu estou a digitar!






Afundando nas lacunas da areia dos meus sentimentos desertos...