terça-feira, 29 de julho de 2014

Maceió

Prazer, eu sou o herói da resistência
minha casa não tem garagem
o muro é coberto de folhas
a tal da trepadeira que cobriu o concreto

Prazer, eu sou o herói da resistência
cujo o peito, não te é mais casa

E que direito tenho eu, afastado de ti por tanto tempo, vir assim, sem mais nem menos, com um Black Chamber a encharcar-me as orelhas, recém conhecido, devagar, em prosa arrastada, sem eira, sem beira, sem direção?

Eu não sei, e ainda me falta a lembrança.

Mas se hoje me vi mais sensível ao caminhar e os muros esverdeados me sopraram algumas palavras, porque não, mais que depressa, como o informante do rei, no meu reinado de amor epistolar, vir correndo cravar-lhe em cores negras a descarga da minha confusão?

E de tão confuso eu não me concedo mais o direito de prosseguir, e ainda que repleto de recusa, eu me forço a entregar-lhe minha incompleta obra, pra que não se esqueça de mim, e que não se esqueça que nem sempre eu digo a coisa certa.

Eu não desisti, e nem publiquei o feto de três meses. Mas com um mês, ou dois, me veio a nova Feist, que agora se chama Daughter, me fazer reconsiderar minha ausência, me fazer reconsiderar minha existência....

Tolices, isso não sairá melhor do que esta, e quatro meses depois, a quilômetros de distância da minha casa, eu me contento com a publicação de um rascunho, composto pelas mãos perdidas no tempo.

A propósito, vê-me um bocado de tempo!?!

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Memorial de uma Lucidez Suficiente

Navegando pelas melodias tristes do dia a dia,
Ainda tentando encontrar um lugar para descansar.
Entretanto, parece que todos os recantos são feitos de ilusões fonéticas,
Nas quais me ensurdece, e me deixa imerso da terra seca do inverno.

Nós nunca mudamos...
Apenas desocultamos o nosso verdadeiro ser.
E a cada tentativa de sermos diferentes,
Apenas caímos em mais uma mentira pra nós mesmos.

Caminhando pelas areias escuras dos meus sentimentos desertos,
Sigo queimando meus pés, que não deixam mais rastros.
Não há praia para eu me perder em olhar, não há mais mar para me embriagar,
Há apenas o sol que me expõe ao ridículo e evapora meus sais.

Nós nunca chegaremos a lugar algum por aqui...
Apenas nos retardaremos da nossa terra do nunca.
Nos perdemos ao contemplar essa vista turva de sempre, tropeçamos em nós mesmos e caímos sem, se quer, um passo darmos...

Mais um copo de mar por favor, para eu descobrir que pilhérias eu estou a digitar!






Afundando nas lacunas da areia dos meus sentimentos desertos...

sábado, 3 de maio de 2014

Minha INDessCência de Até Então...


Eu saltei da lua...
Estremeci o chão
Com o impacto da minha face no solo frio e rochoso.

Apenas fiz isso pra quebrar a máscara de pele e osso,
Apenas fiz isto para me sentir mim mesmo outra vez,
Entretanto oco impugnante - repugnante - existente por baixo de minha pele e me preenche por completo,
E sempre deixará a um infinito de distância entre eu e meu superego.

Sua santidade, a mídia, ministros, governantes, e o povo
ir-se-ão me canonizar com este dia glorioso e depois me crucificarão.
Pelo meu então ato falso heroico,
E por desrespeitar as antigas neo-leis humanas de "seres ti mesmo".

E quanto a mim...
Bem, continuarei aqui à deriva do interrogativo,
Escrevendo esses sentimentos vazios de sempre,
Torcendo para que o vento faça a curva antes do trajeto normal,
Esperando voltar a saltar do lado escuro da lua outra vez,
Que seja um salto perfeito, e desintegre meu rosto na estratosfera árdua,
E o vácuo que sobrar de mim é o meu 'mais-valia' que tenho para lhe deixar...

Afinal de contas, eu saltei da lua!
Afinal de contas, eu apenas caí...







Indecente...








Mais uma vez...

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Kalahari

Tu consegues sentir do frio do inverno, um viés...
E suas folhas secas cortando teus pés?

Consegues sentir o vento oco secar e dissecar-te completamente...
E o veneno da solidão subindo pelas tuas entranhas sutilmente?

Podes sentir o sol evaporar-te como um sopro vagaroso...
E o oxigênio que teu corpo necessita te consumindo aos poucos?

Podes sentir-se rodeado por pessoas, mas vivendo em um limbo em tua mente...
E sentir, de algo que nunca tiveste ou viveste, fome e sede latente?

























Passe a mão sobre os cabelos dela...
Faça-a sentir como a última e única!
Mas ela nunca entenderá do deserto de sentimentos que tua alma viveu...
Ela nunca saberá da lacuna em branco de palavras que teu texto exerceu...


Enfim, consegues se sentir como eu?

domingo, 3 de novembro de 2013

Amanhece, e Estou Sem Face

O sol nasce, e minha pele queima com os restos de cola quente que ainda marcam meu rosto,
e meus olhos cegam com a luz estrelar.
Os fragmentos que me restaram, são impuros...
Uma solução insaturada.

A máscara que guardava 25 anos de pilherias, inutilidades e um ego pusilânime que eu usava para me defender de mim mesmo, está ali! Despedaçada no chão, bem diante dos meus árduos olhos...
Só me resta, estático, contemplar esta agonia.

O dia amanhece e mostra que por trás da minha máscara, há apenas silêncio.
Um silêncio tão maçante e náuseo, de estourar meus próprios tímpanos.
Minha pele - minha lona revestida de ferro e chumbo, evapora com o calor infernal de cada raio de sol receptado.
E minh'alma...
Alma... Mais um "traço curvo sobre um ponto", se mistura com os restos heterogêneos e com o gás carbônico, e é levada pelo vento.

Pronto!
Estou dissecado!
Estou a deriva!
Que comecem com o lacrimogênio e os choques elétricos!
Que comece a 'vida'!

O dia amanhece...
Um lindo dia, por sinal!
E exatamente às seis horas e cinco minutos...




















Em suma, isto é  apanas mais um silêncio variante ensurdecedor...