Ai o dia nasce de novo, e eu torno a produzir mais passado pra dizer que eu vivi. Tentando construir o hoje que perece rápido de mais, tentando inventar futuro, que tão breve, irá perecer também.
E as 7:00 você se nota
As 10:00 você se esvai como tinta de caneta
As 14:00 você se desintegra como flash
As 18:00 você torna a perecer
As 20:00 surgem as pás
As 3:17 você se escreve, e faz do passado síntese em poucas palavras, em poucas lembranças, e você dorme, porque ao acordar você precisa produzir mais, e mais, pra provar que viveu, e prova na medida que produz. E finge ter vida na proporção que tem lembranças. Dos que partiram, do que partiu.
E os álbuns estão cheios do eu que não sou mais,
desse póstumo eu que lamentava um outro antepassado,
que lamentava a existências de outras pás,
e todos eles odiavam não poder tirar lá do fundo,
o que morreu com o ontem,
sucumbiu ao hoje
e se perdeu no amanhã.