
Estou à deriva nas águas turvas que correm para os bueiros. Mergulho de ponta, me choco com o piso das casas dos ratos, encharco os roedores desavisados. Corro, o quão veloz a física me permitir, em um rumo desenhado por algum maldito engenheiro, que não quis permitir que eu corresse pra lugar algum.
Encontro o rio, que agora faz parte de mim, ou que eu integro, sei lá (as proporções sempre me confundem), só sei que aqui, viajando pro mar não me sinto diferente, continuo deslocado e com a suspeita que não posso correr livre, que nunca poderei.
Navego, enquanto o sol me evapora, vou morrendo aos poucos, sem saber se sou uma mera metáfora nascida do tédio de uma madrugada dominical.
Só não queria acabar, queria que as palavras do barco a deriva, do piloto desabilitado, chegasse ao mar. O mar que margeia a ilha onde as palavras viram as poesias que a Feist irá cantar um dia.
Só não queria acabar,
Mas em fim chegou o mar...