segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Não leia, isso faz mal


Estou à deriva nas águas turvas que correm para os bueiros. Mergulho de ponta, me choco com o piso das casas dos ratos, encharco os roedores desavisados. Corro, o quão veloz a física me permitir, em um rumo desenhado por algum maldito engenheiro, que não quis permitir que eu corresse pra lugar algum.
Encontro o rio, que agora faz parte de mim, ou que eu integro, sei lá (as proporções sempre me confundem), só sei que aqui, viajando pro mar não me sinto diferente, continuo deslocado e com a suspeita que não posso correr livre, que nunca poderei.
Navego, enquanto o sol me evapora, vou morrendo aos poucos, sem saber se sou uma mera metáfora nascida do tédio de uma madrugada dominical.
Só não queria acabar, queria que as palavras do barco a deriva, do piloto desabilitado, chegasse ao mar. O mar que margeia a ilha onde as palavras viram as poesias que a Feist irá cantar um dia.
Só não queria acabar,

Mas em fim chegou o mar...

6 comentários:

Sah~ disse...

Muito bom! primeiro me causou desconforto, depois, familiaridade...
bj
:*

rama disse...

Bom texto :)

Maíra Souza disse...

Tanta coisa faz mal...
Isso é só mais uma.

Anônimo disse...

Boa interpretação de algumas vezes nos sentir sendo tomado por uma força sem pelo qual não temos controle aparente....


Abs supernada há quanto tempo hein!!! Sou eu Marcos, aquele antigo vendedor de poesias.

Felicidade 2011 para todos vcs aí do Depósito Apenas.
Fuuuuiiii...

Super Nada disse...

Porra que prazer imenso.

Meu bom e velho vendedor de poesias.

O próximo texto escreverei pra você

abraz

Rui Águas disse...

Já nao escrevo no blog, mas obrigado pelo comentário.

Gostei muito de teu também. O texto do ínico foste tu que escreves-te? é que se foste, dou-te os meus parabens, pqe em poucas palavras conseguis-te dizer muito mais do que eu digo em grandes textos.