sábado, 21 de maio de 2011

Prossigo


Eu apaguei as luzes, agora com a luz que sai do monitor finjo ser a figura refletida na parede do quarto, a figura criada por gestos de uma mão amputada. Como ter saudades do que nunca vivi, ou como cantarolar a música que não ouvi, ou como contar a piada que eu esqueci (e que nem tinha graça), ou como continuar o gracejo a florista que não vende rosas, ou como insistir nessa linha de pensamento, torta linha de pensamento, pensamento de um acéfalo.
Eu prossigo, caminho cambaleando fingindo a minha embriagues, mesmo sem ter tomado uma gota de álcool, mas bêbado, bêbado de verdade, alá Bukowski sem mentiras, não que elas não confortem, mas não bebo a ponto de pedir conforto. Bebo as palavras apenas o suficiente pra vomitar tudo na tela e me inspirar com o cheiro, e dar outro trago até esvaziar a garrafa e banhar por completo meu monitor.
Eu paro, minha cabeça dói, mas paro firme, são, não salvo! Começo a me perder e esquecer o porque que comecei.
Ah, como minha cabeça dói, como eu queria saber porque, mas acho que agora não é o momento, beber já não basta, a luz já incomoda, é hora de desligar o monitor.

E deixar em paz a mão amputada.

3 comentários:

Maria Luíza disse...

Estou encantada com o seu blog e, sobretudo, com a sua escritura.
Parabéns!!!
Abração afetuoso, Maria Luíza

Super Nada disse...

Caramba, mil vezes obrigado. Não tem noção do quanto isso representa pra mim "tia Lu". Beijos!

Maria Luíza disse...

Há pesoas que nascem com o dom da palavra e há em você, querido amigo, esse dom que toca e cala fundo a alma da gente.
Eu apenas brinco com as palavras, não tenho esse dom tão profético e nato.
Continue nos brindando sempre, sempre mesmo, com esse dom maravilhoso que Deus lhe deu!
Beijo no seu coração, Tia LU