Soltei as rédeas e passei a voar, me libertei das minhas grades pra me aprisionar no azul do céu.
Ainda que eu saiba que na verdade estou em queda livre, prefiro acreditar que posso voar. Prefiro imaginar que o vento que toca o meu rosto vem do horizonte.
Eu sei que posso, sei que posso acreditar. Quero ser a antítese do meu fracasso, quero ser a aversão do meu ante herói, quero treinar pra ser um sorriso. Cansei de ser lágrima.
Vou me embebedar nas chuvas de novembro, me afogar nas águas de março, mergulhar neste fluxo anárquico, me perder na correnteza desesperada no caminho de lugar nenhum. Quero treinar pra ser vida. Cansei de ser morte.
Quero que o sonho seja meu coma eterno, e que a queda seja no infinito. Que o rio seque e o fluxo das águas diminua gradativamente.
Quero ser um suspiro, quero ser o meu ultimo suspiro.
Quero treinar pra ser “Eu”! Cansei de ser outro!